quinta-feira, 27 de março de 2014

Fado Torpe



Ouço suave e docemente o triste fado da bela arpa
Quem a toca é o destino
Que me atinge a cada farpa

Toca a preguiça e a megalomania
Toca a ilusão e a irresponsabilidade
Oh! E a gorda luxuria!
Essa toca-a nos intervalos de cada musica...
É extenuante...

Oh, Destino flamejante
Dá-me folga! Ou concede-me um ajudante
Mais um...manda um que me impossibilite de falhar
Mas que o consiga sem me castigar!

Oh! A saudade da minha inconsequência segura
A saudade da almofada de abundância
Como me faz falta beber dessa liberdade e sorte
Como me dilacera a secura
Que me leva o norte...

Oh! se ao menos tivesse eu a sorte
Mas se era a vida um baralho
Seria eu a carta da Morte

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Voltar a Casa




Corro sôfrego e continuamente
Corro como a ventania descontente
Caminho ao desespero por despertar mais uma vez só
DEIXEM-ME VOLTAR PARA CASA!
TENHAM DE MIM DÓ!

Quero voltar a casa onde renasci, voltar atrás, voltar a mim
Chegar ao destino...chegar ao fim
Quero queimar a água e beber o fogo
Quero respirar a terra e no ar caminhar com desafogo
Desejo poder parar de correr...
Chegar...
Pretendo parar de morrer...
Respirar...
Que fiz eu para um caminho tão íngreme assim?!
DEIXEM-ME VOLTAR A CASA!
TENHAM DÓ DE MIM!

Eu sei o caminho e conheço a sua sinuosidade
Mas desconheço-o por inteiro na integra da verdade
Sei apenas que o faço sem o saber
E por muitas curvas que tenha, atravesso-o em recta por querer
Por não ter medo de perder...
Mas procurar parar de sofrer
O sofrimento de não chegar a casa....
Porquê? Porque é que o meu caminho desdenham?!
DEIXEM-ME VOLTAR A CASA!
DÓ DE MIM TENHAM!

Estar longe da vida, um sofrimento atroz...
Grito pedindo para chegar a casa...até que me doa a voz...
Desentendido pelo motivo que nos mantêm separados...
Porquê?! Porque é que estamos em diferentes lados?!
Não aguento mais estar assim...
DEIXEM-ME VOLTAR A CASA!
DEIXEM-ME VOLTAR A MIM!

domingo, 14 de abril de 2013

A semente do Fogo




Marcaste o Futuro
Cunhas-te o agora e o antes
Purificaste o impuro
Quando choveram diamantes

Sagraste-te divina
Quando te vi as faces e o sorriso
Tornaste-te doutrina
Criaste o meu paraíso
És o caminho que procuro
Passaste a ser vida minha
Asseguraste o inseguro
Não mais andei de alma sozinha

Não sendo tu desde sempre
Já o eras sem saber
Eras em mim a semente
Que deixou minha alma a arder!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Vazio






Quando seca a fonte
E o nada aparece de fronte
Me beija o vazio com árida boca
As pedras são pó
E ao longe, Caronte
Me espera desnudo e só

Areia negra como as nuvens no céu...
Carvão nas mãos e nos olhos o sal
Uma névoa como véu
E uma dor colossal
Sensação inexistente que permanece no mal

A invisível sensação que me consome
O apedrejamento da alma morta
A sensação da barriga cheia, consumida pela fome
A sinuosidade da rua torta

Á espera da luz que aquece
No chão frio que não esmorece
Sou aquele que o tempo esquece

Nesse luar em que anseio meu lar
Anseio partir e chegar...

Luz...vem-me buscar

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A cada dia




Mais que os tormentos são as saudades
E superam as tristezas as felicidades
Não diria que é porque te faço feliz
Mas porque tu me fazes a mim
Sim...porque me fazes sorrir sem medir nada
Porque me fazes voar como se fosses uma fada
Desde que nos cruzamos deixaste-me assim...
Ainda hoje me admiro como tal sentimento cabe dentro de mim...

Confesso que nem todos os dia olho para trás profundamente
Mas acredita que olho sempre...
E quando esgravato a minha mente...
oh...quando esmiúço a minha loucura e inconsciência...
Em mim se insurge a emergência...
A necessidade de meus olhos provarem o sal da água
De vidrarem o vermelho do sangue e penso:
"Fui tão feliz"
Sortudo como mais nenhum...
Aquele que presenciou o descolar dos colibris...

Talvez não o faça sempre, ou não o faça o suficiente
Mas tento a cada dia e seja a resposta qual for
Ao mais pequeno alvor
Suplico que acabe o suplicio e que sejas apenas feliz
Rezo para consegui-lo e para ser beliz
O suficiente para te admirar mais vezes quando sorris

Raízes






Hoje, talvez mais do que nunca quero voltar as origens
Quero voltar a inocência e ao dia em que as palavras eram isso mesmo
Palavras...significavam o que se ouvia
Dizia-se o que se sentia
Naquele tempo em que nada me fugia...

Hoje, o chão foge-me dos pés vezes que nem consigo contar
Agora, que corro a outras velocidades já começo a suar
Hoje, as palavras são sentidas mas por vezes apenas eu as percebo
Agora, cada vez que abro a boca sinto o medo...
O medo de não me fazer entender
Que não sintam as minhas palavras como as sinto
Medo do mundo me esquecer
O receio de não verem o que pinto

Hoje, perco-me e nem sempre há alguém que me guie
Porque agora há caminhos que apenas eu faço
Caminhos que apenas podem ser meus e de mais ninguém
Caminhos cheios de nada e de desdém

Hoje, sinto vontade de voltar as raízes...
De curar as cicatrizes
E continuar pertinaz
Hoje, desejo não haver juízes
Que todos sejam felizes
E ficar em paz

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Hoje...




Hoje...hoje, é dia de nada
É dia de vazio, é dia de água
Hoje, é dia das lágrimas caírem
Dos sorrisos ruírem
E eu...e de eu ficar calado
Ficar isolado
Calar o desespero
E ficar parado

Hoje, olharei no vazio
Aquecerei no frio
E esmorecerei o vidro
Desgastarei essa parede invisível
Partirei a linha ténue e sensível
Que separa o bom do terrível
E farei a fusão
Farei o perfeito e a erosão
A calmaria de um furacão

Neste dia, lançarei pedras ao vento
Cuspirei na terra e no cimento
Saltarei o asfalto e a escuridão
Entregar-me-ei a luz da vegetação
Hoje, vou ser Druida
Vou ser a natureza e a impureza
Hoje, serei o verde e a negrura
A água e a secura

Hoje? Oh, hoje eu serei o estrume na lama
Serei a putrefacção do espírito impuro
E a pureza da água da vida
Hoje, serei seco como um murro
Serei tela preta e colorida...
Pois sou o ser que por aí erra...
Sou o baixo do céu e o alto terra...